Os fertilizantes organominerais são uma inovação no manejo agrícola que surgiram como uma resposta à necessidade de integrar práticas agrícolas sustentáveis com a eficiência nutricional.

Na década de 1920 iniciam-se as primeiras pesquisas específicas em fertilizantes organominerais, visando entender sinergias entre matéria orgânica e nutrientes minerais e só em 1970 estudos aprofundados de sinergia nutricional (“nutrient synergy”) consolidaram a eficácia dos organominerais em liberar nutrientes de forma gradual e eficiente. E só em 1990 teve o início das primeiras unidades produtoras de fertilizantes organominerais no Brasil.

Segundo Kiehl, um dos principais pesquisadores em fertilidade do solo no Brasil, o uso de matéria orgânica na agricultura remonta às práticas tradicionais de adubação com esterco e resíduos vegetais. No entanto, com o avanço da ciência do solo, ficou evidente que a combinação de matéria orgânica com nutrientes minerais potencializa a fertilidade do solo e a produtividade das culturas. Os fertilizantes organominerais são produzidos a partir de materiais orgânicos (como esterco bovino, cama de frango, subprodutos agroindustriais...) que passam por processos de compostagem controlada. Durante esse processo, os materiais orgânicos são enriquecidos com nutrientes minerais (como nitrogênio, fósforo e potássio), formando um produto híbrido que reúne as vantagens de ambos os componentes.

Atualmente no Brasil, mais de 30 empresas produzem fertilizantes organominerais, que ganharam destaque após estudos comprovarem sua capacidade de reduzir impactos ambientais, melhorar a eficiência agronômica e reduzir a dependencia de mercado externo como a importação de materia prima. Mas devemos estar atentos aos diferentes materiais utilizados e a forma como estes fertilizantes estão sendo produzidos.

Características
e Composição

 

1. Hibridização: Composição Híbrida:

Contêm uma fração mineral (NPK e micronutrientes) combinada com uma fração orgânica estabilizada. A fração orgânica atua como um "COAT" para os nutrientes minerais, protegendo-os de altas perdas por fixação, lixiviação ou volatilização.

2. Liberação gradual de nutrientes

Quando a matriz organica apresenta boa qualidade sua solubilidade permite alta atividade da microbiota do solo que regula a liberação dos nutrientes minerais, disponibilizando-os ao longo do ciclo da cultura.


3. O pH

pH dos fertilizantes é um fator crucial que afeta sua interação com o solo e sua eficiência agronômica,o pH próximo a 6,5 maximiza a disponibilidade dos principais nutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio) e micronutrientes (ferro, manganês, zinco). Os microrganismos benéficos ao solo têm maior atividade em pH neutro ou levemente ácidos, as distorções de pH seja para a alcalinidade ou acidez prejudicam a atividade microbiana e adisponibilidade de nutrientes.

4. A Relação C/N

Refere-se à proporção entre carbono (C) e nitrogênio (N) em materiais orgânicos.

O solo apresenta uma relação C/N proximo de 20 oque permite que os microrganismos decomponham a matéria orgânica de forma mais equilibrada, essas relações equilibradas favorecem a formação de compostos húmicos estáveis, essenciais para melhorar as propriedades físicas e químicas do solo.

Benefícios para o Solo
e Produção Agrícola

 

1. Melhoria física

Melhora a estrutura de agregados do solo com subistancias humicas e fulvicas que trazem aumento da porosidade e retenção de água, reduzindo a erosão.

2. Benefícios químicos

Elevação da capacidade de troca catiônica (CTC) e teor de matéria orgânica, favorecendo desenvolvimento radicular e a disponibilidade de macro e micronutrientes.


3. Atividade biológica

Estímulo a microrganismos beneficos ao sistema produtivo como decompositores, solubilizadores como Bacillus subtilis e fixadores de nitrogênio, como Rhizobium.

4. Redução de custos

Estudos em lavouras de soja mostraram aumento de 3-4 sacas/hectare mesmo em condições de estiagem, trazendo maior lucratividade e com menor dependencia de importação de materia prima e exposição a volatilização preços que fertilizantes químicos.

Conclusão

Os fertilizantes organominerais representam uma evolução na nutrição vegetal, alinhando produtividade e sustentabilidade. Sua eficácia depende da qualidade da matriz organica e a forma como este é produzido. É fundamental que a matriz organica assim como a mineral seja de qualidade tendo solubilidade boa solubilidade e caracteristicas beneficas para o sistema, como a relação C/N e pH equilibrados. Agricultores que adotaram essa tecnologia relatam maior resiliência climática, redução de custos e melhoria contínua da saúde do solo, consolidando-a como alternativa viável aos fertilizantes tradicionais.

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